O setor de seguros deve movimentar R$ 808 bilhões em 2026, com crescimento projetado de 5,7%, segundo estimativa divulgada pela CNseg em abril. A expansão esperada vem acompanhada de um ambiente mais exigente para corretoras, seguradoras e clientes, pressionado por juros altos, competição por carteira e mudanças regulatórias.

Entre essas mudanças está a Lei nº 15.040/2024, novo marco dos contratos de seguro, que entrou em vigor em dezembro de 2025 e pasoua a produzir efeitos concretos na rotina do setor em 2026. Segundo a Fenacor, embora boa parte das alterações recaia sobre seguradoras e resseguradoras, o corretor passa a ter papel ainda mais sensível na contratação e na gestão da relação entre segurado e seguradora.

Para donos de corretoras, esse quadro joga luz sobre uma fragilidade comum no setor: a concentração das decisões em uma única pessoa. Em muitas operações, o fundador ainda centraliza aprovações, orienta a equipe, acompanha clientes-chave, resolve conflitos internos e segura informações que deveriam estar organizadas em processos, indicadores e lideranças intermediárias.

O problema não aparece apenas quando há uma sucessão formal. Ele surge antes, na lentidão das decisões, na dependência da equipe, na perda de padrão no atendimento e na dificuldade de crescer sem aumentar a carga sobre o próprio dono.

Sucessão começa antes da troca de comando

A sucessão ainda costuma ser tratada como um tema distante, ligado à saída do fundador ou à entrada de familiares no negócio. Essa leitura é curta. Em uma corretora, sucessão também passa pela capacidade de distribuir responsabilidades enquanto a empresa está ativa, crescendo e disputando mercado.

Um estudo da McKinsey publicado em maio de 2026 sobre empresas familiares no Brasil mostra que nove em cada dez empresas no país têm origem familiar e oito em cada dez ainda estão na primeira ou segunda geração. A análise também aponta que, em média, o retorno aos acionistas cai quase seis pontos percentuais nos cinco anos após a troca de CEO, quando comparado aos cinco anos anteriores.

A corretora de seguros não precisa ser uma empresa familiar para enfrentar o mesmo risco. Basta que o conhecimento esteja concentrado em poucas pessoas. Quando isso acontece, a operação fica vulnerável a ausências, mudanças de equipe, crescimento acelerado e decisões tomadas sem preparo.

Formar lideranças, nesse caso, não significa criar cargos. Significa preparar pessoas para decidir melhor, acompanhar carteira, orientar produtores, cuidar da rotina operacional, analisar indicadores e manter o relacionamento com clientes sem depender de comando direto para cada movimento.

Liderança como continuidade do negócio

A discussão sobre liderança também ganhou outra camada em 2026: a tecnologia. A pesquisa Global Human Capital Trends 2026, da Deloitte, aponta que quase 60% dos profissionais já usam inteligência artificial no trabalho, enquanto apenas 14% dos líderes se dizem preparados para organizar essa integração.

Nas corretoras, a adoção de ferramentas, dados e automação tende a exigir líderes mais preparados para interpretar informação e orientar pessoas. Não basta implantar um sistema se a equipe continua sem autonomia para agir, se os processos dependem de memória individual ou se a gestão comercial fica restrita ao olhar do dono.

É por isso que liderança precisa entrar na agenda de continuidade da corretora. Uma empresa que forma líderes reduz gargalos, melhora a tomada de decisão, prepara sucessores possíveis e protege o crescimento já conquistado.

Dentro dessa agenda, iniciativas como o Líder que Inspira e o GC Jovem ajudam a trazer a formação de lideranças para a rotina das corretoras associadas. O primeiro dialoga com quem já ocupa, ou pode ocupar, posições de maior responsabilidade. O segundo aproxima novas gerações dos desafios de gestão, cultura e continuidade do negócio.

Para o dono da corretora, o ponto central é simples: crescer sem formar liderança aumenta a dependência. Crescer preparando pessoas cria uma operação menos presa ao fundador e mais pronta para atravessar os próximos ciclos do mercado.

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